Wednesday, January 31, 2007

Obcecação LIV

E sobre o que fica
Que dizes Tu?
Como queres que reaja
Como queres Tu que perceba
Que o bom filho é o que parte,
Que abandona
Que vai, sem sequer olhar para trás
Como queres Tu que fique feliz
Com a recepção que nunca teve
Ele, que voltava todos os dias
Com a alegria que sempre lhe fugiu
Porque era certa a sua aliança
Com a festa que lhe fizeram
Porque só se sente a falta
De quem não está

Com o abraço
Nunca recebido...

Ambiciona mais,
Respondes-me
Faz-te presente nessa vida
Que é tua
Faz-te receber
Faz-te à alegria
Faz-te sentir a falta dos que estão.
Torna-te mais em mim e menos neles
Cresce nessa sensibilidade que é tesouro em ti
Descobre o que move
O que enche
O que renova

Vai

Se não for de mim
Se não for para mim
Se só falar de ti
Balofo de coisa nenhuma
Voltarás...

E o meu irmão sofrerá com isso

E o teu irmão aprenderá contigo
Porque ninguém vai ao Pai senão pelo Filho

Monday, January 29, 2007

Obcecação LIII

Hoje escolhi não ganhar
Acordei assim
Cansado deste combate
Que não preciso
Que me entristece
Porque a razão é tão pouco
Quando comparada
Ao que me move
Este querer saber
Querer sentir mais
Cada vez mais!

Continuo sem perceber o porquê
O que magoa
O que ofende
O que fere
O que dói...
Mas se fui eu!
Se foi por mim!
Então já não vai magoar
Nem ofender
Nem ferir
Nem doer.

Mas mesmo eu
Que me tenho em boa estima
Não me acho capaz de tanto.



Longe é sempre um lugar dentro de mim

Thursday, January 25, 2007

Obcecação LII

Não vivo por viver
Nem por respirar vivo
Nem por coisa nenhuma
Que não seja a tua acção
Em mim

Mesmo que a não veja!
Que a não sinta!
Sei-Te presente
Sempre

Nos momentos de desamor
Quando me escondo de mim
Quando fala mais alto a dor
Profunda
Sentida
Resta-me a consolação

Mesmo que a não veja!
Que a não sinta!
Sei-Te presente
Sempre

Quando choro
Desabo
Caio em mim
Quando dói...
Existe sempre essa força
Que arrebata

Mesmo que a não veja!
Que a não sinta!
Sei-Te presente
Sempre

Tuesday, January 23, 2007

Obcecação LI

Pousas o teu olhar
Nessa rua
Nessa gente
Que te passa
Ultrapassa
Como se a velhice
Não fosse mais
Que um ficar
Parado

Lembras a mesma rua
Noutros tempos
Outras pessoas
Quando eras tu elas
E os outros
Sombras escuras
Que fitavas
Sorrias

A ti ninguém sorri
Nem sombra te chamam
É diferente este mundo
Do outro que lembras

Faltam crianças
Falta vida
Falta a alegria que inunda
O que passa
E o que espera
Falta a alegria que inunda
O coração
Que inquieta a alma

Falta Amor!

Sunday, January 21, 2007

De Sophia...

Dai-nos senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça
Dai-nos senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedores e sem vencidos

Fazei senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Tuesday, January 16, 2007

Diário de Bordo #6

Deixou-se ir depressa porque não há bem como o que se não tem e passa a ter. Disse-me quem lá esteve que nem para trás olhou. Nem uma vez, nem de relance quis fitar os olhos de seu pai e irmão que para trás deixava. Era o seu desejado tesouro. A liberdade.
Estava feliz no seu caminho. Amparado pela esperança que nunca morre. Pela certeza que vem da verdade que se sente, mas que nunca se sabe verdadeira. Ou talvez não. Talvez saibamos de facto, mas às vezes só sentimos. Só queremos sentir o vento, o som do mar, a areia nos pés... Esquecemos tudo o resto. Tornamo-nos importantes. Independentes.
Passou bastante tempo. Tanto quanto conseguiu guardar em si a realidade de uma vida sem sentido... encontrou-se só. Totalmente só. Quis lembrar-se. Nem uma imagem lhe passava pelos olhos. Porque não olhei para trás? Porque me abandonei? Estou cego.
Nessa noite sonhou azul. Sonhou doce. Sonhou calma. Do sonho lembram-lhe os braços, os abraços... os sorrisos! E a luz? Que Luz! Sentiu-se perdoado, capaz de voltar. Disse sim. Acordou a gritar sim. SIM!

Monday, January 15, 2007

Obcecação L

Deixa-me chegar-te
Alcançar esse lugar escondido
Onde vivem as dúvidas caladas
As tristezas, desilusões

Deixa-me chegar-te
Para logo me abandonar de ti
Não eu, que quero ficar
Mas essa imagem
De julgamentos rápidos
Falsos

Deixa-me chegar-te
Para acabar com essa dor
Que é minha, que é por mim
Mas não é de mim que fala
Não é de mim que vem

Não percebes
Que também eu a carrego ao peito?

Deixa-me chegar-te...
Por mim!

Friday, January 12, 2007

Obcecação XLIX

É sob o Teu olhar atento
Que medita minh’Alma
Atenta ao que passa
Num entendimento
Dessa Voz que só Ela
Ouve
Sente


É sob o Teu olhar atento
Que em mim sobram os ecos
Dos gritos que me enchem cá dentro
Desta Alma que sendo minha
Não é de mim que vem
Nem a mim que ouve
Mas é para mim que fala
Sempre

É sob o Teu olhar atento
Que procuro essa Voz
Que não cessa
Não se cansa
Não se cala
Nunca

É sob o Teu olhar atento
Que percorro este caminho
À tua procura!

Wednesday, January 10, 2007

Obcecação XLVIII

Não trago às costas
Coisa alguma
Que mereça ser carregada
Nem dores
Nem sofrimentos
Nem dos mais pequenos

Tenho as costas leves
Alargadas por essa imagem tua
Que sei falsa
Que não anima nem conforta
Mas que é bonita

Tenho medos
Vergonha
De ser tão livre
Tão leve
Tão disponível
Aqui
Onde vejo ser carregada
Em ombros fortes levada
A tua tão pesada cruz

Tenho medos
Vergonha
Deste cansaço que me acompanha
Desta tristeza que fere a alma
Desta inveja
De não ter em mim
Nem a luz
Nem a alegria
Dos que chorando
Te carregam

Não trago às costas
Coisa alguma
Que mereça ser carregada

Monday, January 08, 2007

Diário de Bordo #5

Quer que eu lhe explique?
Apontamos a câmara e esperamos que a imagem se torne nítida.
Devagar, muito devagarinho, tentamos captar o que está à volta. Se nos apressamos, a imagem sai desfocada.
Está a perceber?
Não se esqueça que o nosso objectivo é ver... não apenas olhar!

Sim... se é Verdade, é verdade sempre!

Friday, January 05, 2007

Obcecação XLVII

Faz-te acompanhar
Quando só
Quando triste
Quando longe do mundo
Liga-te ao vento que passa
Brisa suave
Que te acolhe
Permite-te ir
Mais longe
Ser
Mais forte

Faz-te acompanhar
Nesse momento
Em que te sentes afastar
Em que te faltam as forças
Para vencer
O medo
Que é só teu
Vem de ti

Faz-te acompanhar...

Tuesday, January 02, 2007

Obcecação de Ano Novo (Vida Nova)

Nada é melhor
Que um começo
Ou recomeço
Para que tudo volte a ter sentido

Um ponto final no ido
E pela frente
Outra jornada
De um caminho que é o mesmo
Mas que se renova
A cada passo

Não fala de esquecimento
Mas o que não foi
Não mais será lá atrás
Mas à frente
Assim eu queira
Sê-lo-á sempre

Seja eu Grande para perceber
O quão Pequeno sou

Seja eu Pobre para aceitar
Esta Riqueza que me cerca

Seja eu Lúcido para aderir
A esta Loucura que é única
Verdade


Eu que caminho... (também) em 2007!
Ad Majorem Dei Gloriam (a menos que ande muito enganado...)